Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva
O conhecimento humano era prático demais, necessitando de uma organização que pudesse fazer entender as coisas. A filosofia surge com aqueles que amam o conhecimento, e conforme suas pesquisas, passavam a ensinar em praça pública, pelo puro prazer de ensinar. Os que recebiam valores eram chamados de sofistas. Mas também não deixavam de ser filósofos. A filosofia que criou a organização do conhecimento geral em toda a sua amplitude.
A marca de um filósofo não é a sua diplomação necessariamente – muitos formados não tem a função filosófica -, mas sim é um estágio do espírito.
Tal qual temos alunos que não são contadores ou não exercem a profissão mesmo formados em Contabilidade, quando outros que são formados em direito não podem ser advogados ou não exercem a profissão, assim é a função do filósofo, que mesmo sem preterir o título, não pode ser admitido apenas com a formação. Contudo, sua obra bem lida que diz se é ou não um amante do conhecimento, um filognóstico.
Se alguém ama o conhecimento, e produz conhecimento este alguém é filósofo. Mesmo se não publicou pode ser filósofo. Pois como disse, é uma atividade inerente à pratica do conhecer, e ao amor à sabedoria.
A filosofia é útil para guiar uma crítica à existência, um sentido para viver, e ainda, porque estamos vivendo, para onde vamos, ou qual é o estágio da sociedade e o grau do espírito humano.
Alguns grandes filósofos, sem titulação específica, marcaram a sociedade:
- Tales, e seus seguidores
- Sócrates
- Platão e Aristóteles
- Santo Agostinho
- Santo Anastácio
- São Tomás de Aquino
- Dun Scott
- Descartes e Leibniz
A maioria deles não tinha a formação filosófica, mas suas obras foram sobre o conhecimento, por tal são filósofos.
Tal como tem pedreiro que faz mal sua obra, tem contador que faz mal o balanço, tem policial que faz mal o seu trabalho, existem pessoas que não tem a formação acadêmica sendo amantes do saber de modo nato, embora não tenha a profissão definida. Quem faz por amor faz melhor do que quem faz por título.
No Brasil grandes autores da filosofia não tiveram a formação em academia, mas a prática filosófica, portanto são filósofos em alto grau (como disse, sem desmerecer o título, tal qual em Contabilidade temos os gênios comerciais que não estudaram a ciência, existem os gênios do amor ao conhecimento).
Muitos deles eram de formação análoga ou técnica, como matemáticos, físicos, médicos, e até das ciências sociais como o direito. Outros eram autodidatas.
Podemos citar Mario Ferreira dos Santos, Evaldo Pauli, Miguel Reale, Olavo de Carvalho, Newton dos Santos, Costa Leite, entre outros diversos.
Filósofos de verdade são poucos, tal como doutrinadores da ciência são poucos também.
Já fui criticado em sala de aula por minha prática filosófica atrelada ao conteúdo de Contabilidade, ora, toda ciência que você exerce com amor, está no plano filosófico e isso é o mais importante.
Tal como a gente tem bons alunos que entendem o que é a filosofia, a gente tem os maus que pelo fato de terem alguma autoridade social comprada e não fazem o que gostam e não gostam do que fazem, a ponto de misturar bala e revólver com Contabilidade ou conhecimento, ofendendo a autoridade do professor, a gente tem aqueles que podem ser bons ou maus no setor do conhecimento.
Uma coisa que a gente tem que aprender acima de tudo, é que com o título ou não, a gente tem que fazer as coisas com amor e com simplicidade.
Ninguém é melhor que ninguém, mas o cachorro se torna melhor que o gato não pela perspicácia do gato, mas porque é teimoso.
Muitos infelizmente não alcançarão a felicidade no conhecimento, porque atrelado a falsa autoridade que tem, se travestem de autênticos macacos, com interesses pessoais de acobertar os crimes de parentes contra a sociedade, colocando-se acima do bem e do mal, ou seja, fazem as coisas apenas pelo salário, e depois vão defender uma religião com absoluta mentira. Estamos na era do artificialismo. As pessoas não são o que parecem ser, mas para ganhar o dinheiro, até chapéu de palhaço e boina põem na cabeça.
Quem não é filósofo não consegue ser religioso, e vice-versa.
Portanto, para todos que entendem a realidade do conhecimento, a filosofia não é o profissional de formação da filosofia tão e somente, mas o que ama o conhecimento, que faz e se dedica ao conhecimento, ensina livremente, e gosta de ensinar por amor.