O PROBLEMA DOS ARTIGOS ATUAIS ESPECIALMENTE DA LINHA POSITIVA

Prof. Rodrigo Antônio Chaves da Silva

 

Um punhado de números não constitui uma revisão teórica e nem uma análise concreta.

Um punhado de autores citados não constitui cultura.

A citação de uma corrente com diversos conceitos vazios não é elemento científico.

O problema principal que hoje encontramos em diversos adeptos da vertente positiva, muito mal delineada está nestes três pressupostos: estatísticas em exagero, citações indiretas sem análises razoáveis, e uso de conceitos contraditórios ou fora da Contabilidade. É uma crítica séria.

Quando se pensa que somente a pesquisa econométrica é a solução dos debates públicos de Contabilidade, ou que citações de autores em tabela, mas que estão fora do contexto da doutrina ou da discussão, além do uso de conceitos que são econômicos, jurídicos, e que não têm consistência nem histórica na Contabilidade, são as soluções das discussões contábeis, podemos dizer que a não-Contabilidade está em ascensão. É o fim da pesquisa real em matéria de Contabilidade. Não há espaço para a Ciência Contábil, tão e somente para uma hipnose coletiva em torno do instrumento de experiência.

O estilo acabou. A explicação é caracterizada como repetição. E o dote científico é tido como “rolagem de números”.

O primeiro defeito, é pensar que um trabalho sem estatística não é científico, aí a vertente fica muito mecânica, apenas se centrando num processo de resolução de hipóteses o que pode ser altamente negativo para a mentalidade positiva (pois, a doutrina positiva surgiu para se fazer leis gerais em torno de um objeto). Não há tratamento de hipóteses como deveria. E sim citações de hipóteses, como as chamadas “considerações gerais”. Quando vai se ler não entende uma coisa nem outra, mas o importante é colocar no texto as “duas coisas” para lhe dar o sentido de “autoridade”. De que adianta um monte de tabelas de computador, com esquemas de cifras, de gráficos, mostrando os diferentes modelos econométricos, e o que eles querem dizer para si mesmos? Nada.

A estatística é um instrumento experimental. Logo, o trabalho experimental deve se concretizar em leis. Pesquisem quais foram as últimas leis descobertas por síntese estatística, matemática, ou analítica em Contabilidade, no terreno da Academia formal do Brasil, que você verá que as últimas foram da década de 60, tirando aquelas provenientes de conectivos lógicos do Neopatrimonialismo na década de 90. Evidentemente, nenhum departamento universitário criou/descobriu lei contábil geral ou universal alguma, da década de 60 para cá, prejudicando em muito a evolução do ensino, e transformando a suposta lei em “considerações da pesquisa” o que caracterizava uma fraude real, porém, sob a nominação de “legalidade”.

Cada um com a sua “criatividade”, coloca tabelas de computador, e até sabem muito bem explicar alguma coisinha do que ela transparece, todavia, são trabalhos mais de CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO, do que de CIÊNCIA CONTÁBIL. Cadê o patrimônio? Cadê o fenômeno patrimonial? Cadê a gestão? É bom apenas citar esta palavrinha para ficar bonita no texto…

Se fossemos pegar os maiores autores da lógica, e da Contabilidade, o pensamento e o estilo eram muito diferentes; na argumentação usar-se cálculos sem domínio dos mesmos, é bom para ser mostrado, mas péssimo para ser entendido, e constitui uma fraude, porque soa mostrar como se realmente o pesquisador fosse o único dominante da realidade, aquele que penetrou no décimo segredo da ciência…

Agora o segundo problema: as citações que são utilizadas sem o tratamento de cada uma delas. Cita-se cerca de 8 a 10 autores num parágrafo (estou dando um exemplo), mas não se avaliou sinceramente o que cada um deles quis dizer.  Se é esparso demais, ninguém entende, sem contar que parece que o trabalho fica um jogo de cartas. Eu jogo em copas, depois, mando um coringa. Jogo no “ouros” e me vem um valete. No fim das contas, você vai ver os títulos dos artigos tem apenas uma menção ao assunto, às vezes com vertentes totalmente diferentes. Parece que a técnica é de repetir mecanicamente e vegetativamente algo que tem uma palavra relacionada para fazer ninguém entender nada. Só para falar que tem cultura(?). E o pior, da citação de quem só tem artigos, não tem livros. Você já viu alguém com cultura só lendo artigos? Os eruditos realmente leem enciclopédias e livros. Agora, os pendantes gostam apenas de citar, sem explicar o que citam. É outro problema sério desta linha.

Como há citações esparsas, e números à reveria, surge uma outra questão muito interessante: no decorrer do texto, se faz citações vazias. Coloca-se conceitos sem explicação devida. Por exemplo, se eu construo, não preciso explicar o que é uma construção teórica, pois, já está no processo, mas se falo por exemplo do “construtivismo”, sem explicar o que é, deixo um contato esparso também. Neste sentido, os autores desta linha são campeões em fazer isso: repetir um número de conceitos, e palavras em inglês, com supostos neologismos e neovocábulos que no fundo são todos vazios, sem intuição suficiente, e sem a realidade suficiente.

Este é o problema: não deixamos de reconhecer autores fantásticos em todas as visões, mas igualmente, devido à nossa simplicidade em ter lido os maiores autores da doutrina, percebemos que o estilo É MUITO DIFERENTE. Hoje na academia, para você ser aceito, deve saber muito bem passar DADOS, e achar uma explicação só do número. Se é que existe a explicação. Isso será o SINAL DE CULTURA, agora ler os livros, fazer intepretações sinceras e não religiosas, proceder uma análise real dos textos, sempre será considerado errado, isto na academia formal de Contabilidade. Hoje estamos na era dos conceitos vazios.

Portanto, que eles continuem fingindo que ensinam apenas informando cifras sem sentidos, que nós continuaremos fingindo que estamos aprendendo sem entender nada, e chegaremos sempre nos piores lugares do real conhecimento científico.

Não é à toa que a Contabilidade para eles é uma ciência da informação, porque informação se tem demais, agora FORMAÇÃO é o que não se tem. Algum contador consegue aplicar alguma coisa, ou relacionar algum conceito real, com a métrica de rolagem de dados e artigos da doutrina positiva? Nos escritórios? De que serve muitas vezes este tipo de pesquisa? Na prática? Eles dominam a academia e os jornais de Contabilidade; nos obrigam a ler isto por repetição, mas algum auditor, perito, analista, ou contador aplicar alguma coisa disso realmente? Agora sobre o patrimonialismo e neopatrimonialismo podemos aplicar em diversos setores. E por que este conteúdo é proibido de ser estudado no Brasil nestes mesmos cursos de “doutrina positiva”? Pensem um pouco. Infelizmente a academia formal já colocou a Contabilidade no buraco por sua elite academicista, que não vê a realidade que não da estatística de um programa de computador. É lamentável.