Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva – Contador
Se temos ciências diferentes não podemos ter mesclas iguais de mensuração, mesmo quando as técnicas são parecidas, os objetivos, critérios, aspectos, e bases podem ser absolutamente diferentes e discrepantes.
O símile não é igual, já dizia Aristóteles.
Uma planta parece com a outra, mas não é a mesma coisa.
O homem parece com a mulher, mas são diferentes.
Mesmo os diferentes se atraem, mas não são iguais.
Aquilo que Santo Agostinho disse é uma realidade: nós somos muito parecidos por sermos em realidade muito diferentes, somos muito símiles, mas não somos iguais.
Nem gêmeos homozigotos, são iguais.
Esta é a regra.
O mesmo se coloca para o valor contábil e o de mercado.
É simples a forma desta explanação, mas o entendimento dela atual é muito difícil.
As teorias são muitas. As bases matemáticas bastante profundas e extasiantes. Porém, vamos resumir.
Na física há uniformidade, o metro, o cúbico, são iguais em qualquer lugar do mundo. Em qualquer tempo e espaço.
Em ciências da riqueza, sociais, ou econômico-sociais, a diferença é básica, mesmo a fonte sendo a mesma, as bases, critérios, efeitos, e objetivos são diferentes.
Na diferenciação, o específico prevalece sobre o geral, tal como o uno em relação a uma soma ou total. Isso para identificar o fato.
Qual é o objeto da economia e Contabilidade? Parecem ser os mesmos. Mas há diferenças.
O objeto econômico é mensurar e avaliar o conjunto de riquezas, mesmo no ângulo micro, a economia estuda os setores, o que intervale dizer que o seu ângulo é geral.
A Contabilidade mesmo no seu aspecto geral, funde seus estudos no ângulo especial, do patrimônio aziendal. Na sua qualidade e quantidade. Nas suas características morfológicas. Na sua realidade fenomênica, estática e dinâmica, por uma relevação.
Por aqui já podemos apontar a principal diferença.
Se a economia estuda a riqueza no ângulo geral, ela estuda a mesma por soma, por abstração e conjunto. A ela interessará uma média, um total. Essa soma não é igual à particularidade do valor.
Qual é o valor de mercado da empresa tal? Nunca será avaliação, será estima sempre, porque não se pode dizer que outra azienda pagará aquele valor.
Qual é o valor de mercado das empresas então? O de soma, agregação, e conjunto de valores. Deste modo, mesmo com as validades das estatísticas, o valor econômico tende ao abstrato, complexo e subjetivo.
O valor contábil não, é um valor específico. Como tal sempre terá formalidade jurídica.
Não há formalidade jurídica da informação econômica, porque ela pode ser alterada conforme os critérios. Não existe uma igualdade de inflação por exemplo, mesmo com critérios idênticos. As regiões fazem diferir do total e do número de indexação. O geral não pode ser tratado igual ao específico.
É o valor da moeda de conta com formalização de prova que faz o valor contábil.
Assim, se eu pago x, numa determinada empresa, é porque houve valor real, objetivo, específico, determinado, este é o valor contábil.
O valor contábil se materializa após um fenômeno real patrimonial, com um determinado documento.
Em verdade, o valor contábil é o real, ou especial; e o econômico, é o abstrato, ou geral.
Temos vários exemplos para testificar estas diferenças, mas iremos citar alguns:
- a) O valor de todas as empresas não é idêntico ao valor de uma empresa;
- b) A soma de um ativo não é igual a de todos os ativos;
- c) A influência geral nem sempre subtende a influência específica do valor;
- d) O valor econômico é valor de mercado.
Assim o valor contábil:
- a) É objetivo, acontece depois de um fato;
- b) Tem formalidade em escrituração e jurídica;
- c) Tem poder real quando base com a forma essencial por ser específico;
- d) É patrimonial.
Em outras palavras: existe nota fiscal de cotação? Existe duplicata de média de empresas? Existe uma conta para o valor abstrato? Existe promissória de inflação? Existe conta sem fenômeno? Existe uma duplicata do PIB? Não. Por quê? Porque são valores gerais e não específicos, são somas, médias, estatísticas, e não necessariamente um acontecimento definido, mas um montante dos aludidos.
Não existe um balanço específico para a economia, mas geral; nós estudamos a riqueza geral por ser ela particular.
Se eu misturar as duas versões deturpo especialmente a contábil, por não ser ela valor de mercado, mas valor empresarial.
Entre as duas mensurações, a metrificação econômica é a mais difícil. Por ser abstrata. E não se igual com a contábil, objetiva e factual.
Tem mais coisa, mas no geral, numa resposta singela é isso.